Argentinos foram quase 60% dos estrangeiros no Brasil em janeiro em meio a valorização do peso

(FOLHAPRESS) – Turistas da Argentina provocaram uma verdadeira invasão no Brasil em janeiro e representaram 58,6% de todo o volume de estrangeiros que passaram pelo país. Ao todo, 1,4 milhão de turistas entraram no Brasil, sendo pouco mais de 870 mil argentinos.

Os dados compilados mensalmente pelo Ministério do Turismo, Embratur e Polícia Federal mostram que este foi o mês de janeiro com maior passagem de turistas pelo país desde o início da série histórica, em 1970, e representa um aumento de 55% de turistas no país em relação ao mesmo período de 2024.

A presença dos argentinos praticamente dobrou em um ano. Em janeiro de 2024, o Brasil registrou 452,1 mil argentinos no país, número que saltou para 870,3 mil no mês passado.

Segundo o Ministério do Turismo, os estados do Sul, fronteiriços com a Argentina, foram diretamente beneficiados com o fluxo de chegadas internacionais. Entraram no Rio Grande do Sul 518,5 mil turistas, enquanto no Paraná foram 206,8 mil e em Santa Catarina, outros 198,7 mil.

No Rio de Janeiro e em São Paulo, que são dois dos principais mercados turísticos no país, entraram, respectivamente, 240,1 mil e 219,7 mil visitantes.

Além dos argentinos, também marcaram presença no país os chilenos, com um aumento de 34% de turistas na comparação com o ano passado, totalizando 103,6 mil.

Os dados sobre o total gasto por estrangeiros no país são compilados pelo Banco Central. Não é possível, por exemplo, filtrar o gasto por nacionalidade. A Embratur, no entanto, utiliza uma previsão da Oxford Economics indicando que turistas argentinos devem deixar quase US$ 1,13 bilhão no país este ano. Em 2024, estima-se que eles deixaram cerca de US$ 1,1 bilhão no Brasil.

MENOS BRASILEIROS NA ARGENTINA

Se o número de argentinos cresceu no Brasil no início deste ano, o mesmo não se pode dizer das viagens de brasileiros ao país vizinho. Dados do Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos) da Argentina apontam uma queda de 25% na entrada de brasileiros em janeiro, totalizando pouco mais de 134 mil turistas.

No geral, a queda de turistas na Argentina foi de 20% na comparação com janeiro de 2024. Além do Brasil, que representa a maior parcela de turistas no país, também registraram diminuições os residentes da Bolívia (queda de 31%), Chile (-30,4%), Uruguai (-54%) Paraguai (-11,9%) e Estados Unidos e Canadá (-10,8%).

Mais cara para os brasileiros, a queda dos números argentinos é reflexo da valorização artificial do peso argentino, que encarece o país, mas causa recuo na inflação —uma das metas principais do governo Javier Milei.

Em janeiro, por exemplo, a cesta de alimentos e combustíveis em dólares, medida pela consultoria PriceStats, ficou 19% mais cara na Argentina do que no Brasil.

O turismo argentino foi diretamente impactado pela política econômica de Milei e registrou quedas consecutivas no fluxo de turistas de abril em diante. Por outro lado, as medidas impulsionaram viagens internacionais feitas por argentinos no mesmo período.

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