Esquerda cresce 65% no Parlamento da Alemanha

O partido Die Linke (de esquerda) foi um dos grandes vencedores das eleições na Alemanha. A legenda, que tinha expectativa de ter até 4% dos votos no pleito, conquistou 8,8% e retornou a Bundestag nas eleições legislativas antecipadas. O partido conquistou 64 dos 630 assentos no Congresso do país. Em 2021, a Die Linke conquistou apenas 39.

O resultado é representativo para a esquerda alemã, que ficou abaixo do limite da cláusula de barreira em 2021, assegurando representação apenas graças à conquista de três mandatos diretos.

“A Die Linke está viva e mostrou que é possível construir uma oposição forte e de esquerda”, afirmou o copresidente do partido, Jan van Aken.

O resultado não representa apenas a superação da fragmentação interna após a saída de Sahra Wagenknecht em 2023, mas uma reafirmação da legenda como força de oposição na Alemanha.

A saída de Sahra, que rompeu com o partido junto a 9 deputados para fundar o seu, causou perda no status de bancada da Die Linke na Bundestag, já que o partido ficou abaixo do mínimo necessário para manter a representação formal.

O rompimento foi causado por questões como imigração, vacinação contra a COVID-19 e a invasão russa da Ucrânia geraram tensões significativas.

A reorganização da legenda aconteceu com a chegada de Jan van Aken e Ines Schwerdtner, que fez com que o partido resgatasse suas origens para suprir as demandas sociais. A sigla abandonou a disputa pelo discurso securitário, que dominou a eleição, e investiu fortemente em uma pauta de classe.

Com foco na crise imobiliária e preço dos alimentos e energia, o partido lutou e bateu de frente com legendas que ignoraram os temas. A Die Linke também trabalhou em buscar soluções concretas para os trabalhadores, o que foi um diferencia.

Outro ponto foi o investimento em redes sociais. O partido aumentou o orçamento para tal e viu suas curtidas e seguidores quintuplicarem em poucas semanas, o que se refletiu na mobilização eleitoral.

O trabalho de rua também foi essencial. O partido visitou mais de 550 mil casas em áreas estratégicas, principalmente no Leste da Alemanha, onde vive o eleitorado mais alinhado com a esquerda. A sigla também conseguiu trazer novos militantes, revertendo um declínio interno que havia acontecido.

Agora na Bundestag, a Die Linke deve atuar como opositora da CDU, partido de centro-direita, e da AFD, partido de extrema-direita. A vitória da Die Linke é vista como um sinal de que há resistência ao avanço da direita. “Enquanto a CDU e o BSW flertam com ideias da AfD, nós reforçamos nosso compromisso com a justiça social e a democracia”, afirmou Ines Schwerdtner.

O desafio para o partido deve ser consolidar seu papel na oposição e o transformar esse impulso eleitoral em uma base duradoura. A presença em bairros populares e o envolvimento de movimentos sociais podem ajudar a definir o futuro da Bundestag.

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