Tesla vive pior início de ano com queda na produção e entrega de unidades

A Tesla, montadora de veículos elétricos liderada por Elon Musk, vive seu pior início de ano dos últimos três anos. A companhia entregou cerca de 337 mil unidades entre janeiro e março de 2025, um recuo de 13% em comparação com o mesmo período do ano passado. A divulgação dos números nesta quarta-feira, 2, provocou uma reação negativa do mercado, com as ações caindo logo no início do pregão.

A Tesla atribuiu a queda na produção e nas entregas à transição para uma nova versão de seu modelo mais vendido. No entanto, analistas do setor sugerem que o desempenho da companhia vai além de ajustes operacionais e pode estar diretamente ligado à crescente impopularidade de Musk, que está envolvido no governo Trump.

A empresa enfrenta uma forte concorrência com a chinesa BYD, que tem ampliado sua presença global com veículos mais acessíveis e produção mais eficientes. Musk ocupa atualmente um cargo no governo dos Estados Unidos, liderando o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês), criado pelo presidente Donald Trump para reduzir gastos públicos e o número de servidores federais.

Por lei, Musk, como “funcionário especial”, só pode exercer funções públicas por até 130 dias por ano, o que obrigaria seu afastamento até meados de junho.

A ligação estreita entre Musk e Trump tem sido alvo de críticas. O empresário doou mais de US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão) à campanha de reeleição do republicano em 2024. Recentemente, ele também financiou a candidatura do ex-procurador-geral republicano Brad Schimel à Suprema Corte de Wisconsin — tentativa que terminou em derrota no dia 1º de abril.

Boicotes e questionamentos de governança

O ativismo político de Musk provocou protestos em diversas concessionárias da Tesla nos Estados Unidos e na Europa. Alguns veículos da marca foram vandalizados, e o próprio Trump chegou a declarar que qualquer agressão contra carros da empresa seria tratada como “terrorismo doméstico”.

A repercussão negativa extrapolou as redes sociais e chegou aos investidores institucionais. A presidente da Federação Americana de Professores, Randi Weingarten, enviou cartas a diversos fundos de pensão públicos, alertando sobre o impacto das decisões de Musk na performance da empresa.

“Essas quedas parecem estar sendo motivadas, em parte, pelo tempo que Musk dedica a atividades políticas, muitas das quais estão em desacordo com os interesses comerciais da Tesla”, escreveu.

A Controladoria da cidade de Nova York, responsável por uma das maiores carteiras públicas de investimento dos Estados Unidos, divulgou uma perda de mais de US$ 300 milhões em três meses, devido à desvalorização das ações da Tesla. O controlador Brad Lander afirmou, em nota oficial, que Musk estaria “tão distraído” que estaria “conduzindo a Tesla a um precipício financeiro”.

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