União Brasil e PP avaliam federação, mas decisão ainda depende de ajustes

A possível federação entre o União Brasil (UB) e o Progressistas (PP) começa a ganhar força nos bastidores da política nacional, mas ainda está longe de uma definição concreta. Enquanto o PP já manifestou interesse na aliança e busca consolidar o acordo, o União Brasil mantém um tom mais cauteloso, avaliando os impactos políticos e eleitorais da junção. Líderes de ambos os partidos ressaltam que a negociação está em fase inicial e depende de um alinhamento estratégico que contemple os interesses estaduais e nacionais das duas siglas.

As direções vão se reunir na próxima sexta-feira, 21, para deliberar sobre o assunto. Caso a federação se concretize, o novo bloco político contaria com 109 deputados federais, tornando-se um dos mais influentes da Câmara. No entanto, as discussões esbarram em questões-chave, como a divisão do controle partidário nos estados, a viabilidade da união nas eleições municipais de 2024 e a construção de um projeto nacional para 2026.

União Brasil adota postura cautelosa

Para o ex-deputado federal Delegado Waldir (UB), a federação não pode ser decidida de maneira apressada e precisa levar em conta os projetos políticos do partido, especialmente a possível candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República.

“Existe um grande interesse do PP, mas o União Brasil ainda está iniciando a discussão com seus parlamentares e principais lideranças”, afirmou o ex-deputado ao Jornal Opção. “Temos um projeto claro com o governador Ronaldo Caiado, que consideramos um nome forte para a Presidência da República. Esse é um ponto inegociável para o União Brasil.”

Waldir também alerta para os desafios da fusão nos estados, onde as lideranças locais de ambos os partidos podem entrar em conflito. Segundo ele, a distribuição de poder entre as siglas precisará ser bem definida para evitar que uma delas saia enfraquecida no processo.

“É essencial avaliar se a divisão dos estados entre os partidos será realmente equilibrada. Não podemos repetir casos como o do Cidadania na federação com o PSDB, onde um partido acabou sendo engolido pelo outro”, destacou.

Além disso, o ex-deputado ressalta que, embora a negociação esteja em andamento, ainda há um longo caminho pela frente até que uma decisão final seja tomada.

“Estamos no início das discussões, não é algo que será fechado rapidamente. Há muitos detalhes a serem ajustados, e o União Brasil não pode tomar uma decisão que beneficie apenas um lado. Será um jogo de xadrez político.”

O que diz o PP

Por outro lado, o PP já iniciou as tratativas para viabilizar a federação e mantém diálogo direto com o União Brasil para construir um consenso. O deputado federal Adriano do Baldy (PP) confirma que o presidente nacional da sigla, Ciro Nogueira, tem liderado as conversas e busca estruturar a proposta de maneira que contemple os interesses das duas legendas.

“Estamos em uma fase de explanação e conversa. O presidente Ciro colocou o tema em pauta e vai discutir os detalhes com o presidente do União Brasil, Luciano Bivar, além das bancadas e lideranças estaduais”, afirmou Baldy.

Apesar do interesse do PP em avançar com as negociações, o deputado ressalta que a decisão final ainda depende de ajustes e de um consenso entre as lideranças estaduais, especialmente em estados onde há disputas locais entre os partidos.

“Vamos esperar a decisão final do nosso partido e também ouvir o governador Ronaldo Caiado e o presidente Alexandre Baldy, que são nossas referências em Goiás. Só depois dessas conversas poderemos tomar uma posição clara.”

Além disso, Baldy revelou que o PP está construindo um documento formal em conjunto com o União Brasil para garantir que todos os detalhes da federação sejam bem amarrados e que nenhum dos partidos saia prejudicado.

“O objetivo é construir um acordo que não deixe pontas soltas e que represente os interesses das duas siglas. Estamos buscando um equilíbrio que seja benéfico para ambos os lados.”

Próximos passos

A negociação ainda está nos primeiros estágios, mas já movimenta os bastidores políticos, especialmente em um cenário onde a disputa presidencial de 2026 começa a ganhar espaço nos debates partidários. Segundo Baldy, a próxima semana será crucial para o andamento das tratativas. “Tivemos a primeira reunião com a direção nacional na terça-feira. Agora, o União Brasil está reunindo suas lideranças e, na próxima semana, teremos um encaminhamento mais nítido sobre se a federação será possível ou não”, afirmou ao Jornal Opção.

Enquanto isso, os líderes do União Brasil seguem avaliando os impactos políticos da fusão. O partido, que se consolidou como uma das principais forças do Congresso, quer garantir que a aliança com o PP fortaleça sua presença nacional sem comprometer seus projetos políticos estratégicos.

“O União Brasil é um partido maior que o PP, e isso tem que ser considerado na negociação”, frisou Delegado Waldir. “Ninguém pode ser engolido por ninguém. Se a federação for para fortalecer ambos os lados, ela faz sentido. Caso contrário, não há razão para avançar.”

As próximas semanas serão decisivas para definir se a federação sairá do papel ou se as diferenças entre as siglas impedirão a concretização do acordo. Por enquanto, ambos os partidos mantêm o diálogo aberto, mas ainda aguardam ajustes e negociações antes de tomar uma decisão final.

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