Festa Preta celebra raízes afro-brasileiras com música e arte em Goiânia neste domingo

Neste domingo, 6, o coração de Goiânia será tomado por uma festa que transcende o conceito de entretenimento e se firma como um poderoso movimento cultural: a Festa Preta. Realizada no Beco da Codorna, no bar Prosperidade Cultural, o evento promete não apenas agitar a cidade com uma seleção de ritmos afro-brasileiros, mas também proporcionar um espaço de resistência e fortalecimento da cultura negra.

A festa contará com uma programação de tirar o fôlego, recheada de apresentações ao vivo e DJs, e será organizada pelo próprio bar, em parceria com o Clube do Samba Go e o grupo musical Dona Neuma e sua Batucada. A Festa Preta é mais que um simples evento; ela é um ponto de encontro, um espaço de fortalecimento das raízes culturais afro-brasileiras, e um palco para o protagonismo negro. O evento se destaca por sua proposta de promover uma diversidade musical que vai do samba ao hip hop, do R&B ao funk, do afrobeat ao pagode.

O ambiente será de pura celebração, mas também de reflexão, conectando gerações e reforçando a importância da cultura negra em nossa sociedade. Além das apresentações musicais, haverá também exposições, feiras culturais e a chance de conhecer mais sobre a rica história afro-brasileira.

O Bar Prosperidade Cultural como um espaço de resistência

Uma das pessoas que está à frente do evento e de todo esse movimento cultural é o artista e empreendedor Jhony Robson, mais conhecido como Bulacha, proprietário do bar Prosperidade Cultural. Localizado no centro de Goiânia, o bar se tornou um verdadeiro centro de efervescência cultural, especialmente para as manifestações da comunidade negra.

Bulacha, com sua visão empreendedora e amor à cultura, acredita que a festa será um divisor de águas. “O Prosperidade Cultural é o único bar no centro de Goiânia que tem uma pessoa preta à frente dele. A gente vai partir daí”, declara, ressaltando a importância de ocupar espaços na cidade, onde a presença negra e as manifestações culturais ainda são muitas vezes marginalizadas.

Mas o bar não é apenas um local de consumo; é um espaço de troca, aprendizado e celebração. “Ali, o espaço oferece uma estrutura que pode receber essas pessoas e é um lugar no qual as pessoas se oferecem para estar realizando atividades. É um lugar de encontro dessas pessoas, onde a gente pode se fortalecer como ser, como história, como um lugar de ocupação”, explica Bulacha, que vê no Prosperidade Cultural uma extensão da luta contra o apagamento cultural.

Jhony Robson, mais conhecido como Bulacha, é artista e empreendedor, dono do bar Prosperidade Cultural | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Ao longo dos anos, o bar tem se consolidado como um espaço de resistência e fortalecimento da cultura afro-brasileira. “No Prosperidade Cultural, tivemos aula de capoeira, aula de forró, encontros de samba e outras manifestações culturais. O espaço tem sediado diversos eventos e está pronto para receber manifestações de todo tipo”, afirma o proprietário. Para Bulacha, a Festa Preta vem para dar continuidade a essa proposta. “A festa é mais uma oportunidade para fortalecer a cultura preta, que é nossa e deve ser celebrada com muito orgulho”, diz.

Dona Neuma e Sua Batucada, o samba como manifestação cultural

A Festa Preta também será o palco para uma das maiores representantes do samba goiano, Dona Neuma, à frente de sua banda Dona Neuma e sua Batucada. Para a sambista, este evento possui um significado muito pessoal e cultural. “Para mim, a Festa Preta será uma novidade sobre a minha participação. Este evento afro tem para mim uma grande importância. Sou negra e todos os meus sambas estão ligados à cultura negra”, compartilha ela, destacando o quanto o samba tem um valor imenso na expressão cultural do povo negro.

Dona Neuma vê o samba como um ritmo que carrega as tradições e a resistência do povo negro. “O samba foi criado justamente pelos negros, então este ritmo caberá certinho neste evento”, afirma. Seu trabalho, marcado pela força e profundidade de suas composições, busca dar visibilidade a essas histórias e ritmos. “Estou sendo reconhecida como sambista goiana por compor samba raiz”, celebra, sentindo-se cada vez mais inserida na grande tradição do samba brasileiro, mas também como parte de um movimento de afirmação da cultura negra.

Dona Neuma e Sua Batucada, grupo musical de samba | Foto: Lia Raquel

A sambista, que também utiliza sua arte para protestar contra o racismo e as desigualdades sociais, relembra que sua decisão de criar a banda e cantar seus sambas autorais teve uma motivação mais profunda. “O meu TCC é uma manifestação contra o racismo que, através deste manifesto, foram um dos incentivos para tomar a decisão de cantar os meus sambas autorais e também formar esta banda”, revela Dona Neuma, explicando o impacto que a luta contra o racismo teve em sua trajetória artística.

A música “Nega do Morro”, uma de suas composições mais emblemáticas, é uma forte reflexão sobre o sofrimento da mulher negra e as marcas deixadas pela escravidão. “Tenho uma das minhas músicas autorais que fala um pouco do sofrimento de uma negra, cujo o nome é ‘Nega do Morro’. O ritmo é ijexá”, explica. A música, que aborda questões sociais e raciais, é um convite à reflexão sobre as dores da mulher negra e a luta por igualdade e liberdade.

Dudu do Cavaco e o Legado do Clube do Samba Goiás

Outro nome fundamental na construção e realização da Festa Preta é Eduardo Dias, mais conhecido como Dudu do Cavaco, líder do Clube do Samba Go, que é um dos grupos mais importantes de samba de terreiro em Goiânia. O Clube do Samba Go foi pioneiro na cidade ao introduzir o samba de terreiro, um estilo musical profundamente enraizado nas tradições afro-brasileiras e nas comunidades negras.

“Por sempre estar envolvido no samba e nos terreiros, sempre veio essa vontade de fazer com que as pessoas escutassem um samba que vem das nossas ancestralidades”, diz Dudu, destacando a importância do samba de terreiro na luta pela preservação e valorização da cultura negra. Para ele, a Festa Preta é uma oportunidade de dar continuidade a esse legado. “A Festa Preta vem de encontro com o que busco há muito tempo: fomentar mais e mais a nossa cultura”, afirma, otimista com a crescente visibilidade da cultura afro-brasileira no cenário local.

Clube do Samba | Foto: go.clubedosamba

Dudu também reforça que a luta contra o preconceito e a intolerância religiosa sempre foi uma constante na trajetória do Clube do Samba Go. “Por sermos os primeiros, a luta é sempre maior, as pancadas do preconceito são grandes. Já sofri muito com isso. Estamos indo para 12 anos de luta contra a intolerância religiosa. Com a Festa Preta, poderemos ter mais voz”, explica ele, com a convicção de que o evento será uma plataforma para amplificar a voz dos artistas negros e dar espaço à resistência cultural.

O samba de terreiro, que carrega a história e as tradições do povo negro, será um dos destaques da Festa Preta. Dudu do Cavaco destaca a importância de inovar sem perder a essência. “O samba de terreiro traz um pouco da nossa cultura e ancestralidade. Sempre procuro inovar e trazer músicas boas para o povo! A Festa Preta vem de encontro com o meu trabalho”, afirma, destacando a importância do evento como espaço de reafirmação e continuidade dessa tradição.

O Futuro da Cultura Negra e do Samba

A Festa Preta não é apenas um evento único, mas sim um passo fundamental para o fortalecimento da cultura negra em Goiânia. Para Dudu, o futuro da cultura afro-brasileira é promissor, especialmente com a nova geração de músicos e artistas que estão se engajando cada vez mais na preservação e difusão da música negra.

“O futuro é próspero, muitos músicos hoje estão colocando música de terreiro no repertório, mesmo não entendendo o poder que a música tem. Meus músicos são todos novos, sinal de que o futuro será muito bom”, afirma Dudu, confiante no potencial de transformação e continuidade dessa rica tradição cultural.

A Festa Preta será, portanto, mais do que uma celebração de ritmos e danças. Ela será um manifesto cultural, um espaço de resistência, um local onde a história e a luta do povo negro serão celebradas e compartilhadas com todos. Não perca a oportunidade de participar dessa festa transformadora, que será um marco na cena cultural de Goiânia e um ponto de conexão com a cultura afro-brasileira.

Serviço

Festa Preta

Data: Domingo, 6 de abril de 2025

Hora: A partir das 16h

Local: Bar Prosperidade Cultural, Beco da Codorna, Av. Anhanguera, 5331 – St. Central, Goiânia – GO  

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