Dólar despenca após Trump anunciar novas tarifas; probabilidade de recessão global aumenta

O dólar à vista encerrou a sessão desta quinta-feira, 3, em queda de 1,18%, cotado a R$ 5,6290 — o menor valor de fechamento desde 16 de outubro do ano passado, quando a moeda terminou o dia em R$ 5,6226. O movimento de desvalorização do dólar foi impulsionado por um recuo generalizado da moeda norte-americana no exterior, em meio à repercussão das novas tarifas de importação anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

No acumulado de 2025, a divisa já recua 8,90% frente ao real. Moeda norte-americana reflete movimento global de desvalorização após medidas mais agressivas do governo dos EUA elevarem tensão no mercado.

As medidas acirraram temores de uma desaceleração econômica global, levando os mercados a apostarem em cortes mais profundos na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

As tarifas, reveladas por Trump em um discurso na última quarta-feira (2), incluíram uma taxa universal de 10% sobre todas as importações aos EUA, com alíquotas mais elevadas para parceiros estratégicos. As importações chinesas, por exemplo, passarão a ser taxadas em 54%, somando a nova tarifa de 34% aos 20% já em vigor. A União Europeia enfrentará tarifa de 20%, o Japão de 24%, e o Brasil foi incluído com uma taxa de 10%.

A tarifa universal entra em vigor neste sábado, 5, enquanto as alíquotas específicas para parceiros comerciais passarão a valer em 9 de abril. Em resposta, China e União Europeia já prometeram medidas retaliatórias.

As medidas, mais agressivas do que o esperado, foram vistas com preocupação pelos mercados, que operaram com forte aversão ao risco. Investidores temem que o aumento generalizado dos preços provocado pelas tarifas resulte em estagflação — cenário que combina estagnação econômica com alta inflação. Com isso, ativos considerados seguros, como ouro e títulos do Tesouro dos EUA, voltaram a ser procurados.

Probabilidade de recessão econômica global

Os mercados globais reagiram com forte pessimismo após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de uma taxação universal que afeta 185 países, intensificando a guerra comercial com a China. Em resposta, o país asiático impôs tarifas adicionais de 34% sobre produtos americanos. A medida levou o banco JP Morgan Chase a elevar de 40% para 60% a probabilidade de uma recessão econômica global, destacando o impacto negativo das tarifas sobre famílias e empresas americanas.

As bolsas internacionais, incluindo a brasileira, sofreram quedas acentuadas: o IBovespa caiu 2,96% e o dólar subiu 3,68%, fechando a R$ 5,835. A Bolsa de Tóquio registrou sua pior queda desde 1987. Nos EUA, o índice Nasdaq acumula queda de 20% desde o último pico, e os rendimentos dos títulos do Tesouro recuaram, indicando expectativa de cortes nos juros pelo Fed.

O presidente do Fed, Jerome Powell, alertou para o risco de estagflação, com inflação alta e baixo crescimento, destacando incertezas sobre o futuro econômico. Mesmo com dados positivos de emprego, os mercados seguem atentos ao desenrolar da tensão entre EUA e China.

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