‘A arte me mantém são’, diz Highlander; conheça o artista que transforma vivências urbanas em ilustrações

O artista visual Highlander traz para Goiânia um olhar singular sobre os espaços urbanos e suas histórias. Mineiro de Doresópolis, cidade com apenas 800 habitantes, ele percorre o Brasil e o mundo com sua arte, transformando suas vivências em ilustrações que mesclam o cotidiano, a cultura de rua e a diversidade humana. Sua mais nova exposição, que terá abertura no dia 6 de abril de 2025, durante a Festa Preta, no Beco da Codorna, em parceria com o Prosperidade Cultural, apresenta esse registro sensível e orgânico do centro da capital goiana.

Desde cedo, Highlander encontrou no desenho um refúgio e um portal para outras dimensões. Mesmo sem se destacar como desenhista na infância, nunca abandonou o traço, que para ele é mais que uma expressão artística: é terapia, conexão e resistência.

Com essa perspectiva, sua nova mostra reúne obras produzidas ao vivo em Goiânia durante um ano e meio, período em que viveu intensamente os espaços da cidade, especialmente o centro noturno, onde encontrou uma diversidade vibrante de pessoas, expressões e encontros. Suas criações traduzem a experiência de estar imerso nesse universo dinâmico, retratando a riqueza cultural e social da cidade de forma única.

A exposição traz intervenções urbanas e registros de lugares emblemáticos da cena cultural goianiense, como o Beco da Codorna – galeria de arte a céu aberto e ponto turístico efervescente – e o espaço Prosperidade Cultural, referência de resistência e pluralidade artística.

Confira as artes de Highlander

A conexão com esses espaços permitiu ao artista absorver nuances da vida noturna e do intercâmbio artístico que esses locais promovem, evidenciando o papel da arte como meio de diálogo e pertencimento.

Além desses cenários, a famosa Rua 8, coração boêmio do centro, também inspirou suas criações. Frequentada por um público diverso, a rua pulsa com música ao vivo, encontros inusitados e trocas culturais intensas, elementos que Highlander captura em seu estilo marcante. Sua jornada em Goiânia também passou por festivais e eventos culturais significativos, como a Convenção Brasileira de Circo, a Convenção Goiânia de Malabarismo e o Festival de Palhaçaria Preta.

Cada um desses espaços ofereceu um panorama distinto da efervescência cultural da cidade, desde a arte circense até expressões de resistência e celebração da cultura negra. Em meio a essa imersão, o artista também encontrou inspiração no cotidiano, realizando registros inusitados, como cenas de supermercado transformadas em ilustrações cartunescas de animais antropomórficos, criando um universo lúdico e provocativo.

Utilizando técnicas 100% analógicas, como aquarela e lápis de cor sobre papel matizado, Highlander imprime fluidez e leveza às suas criações, evocando a estética de desenho animado e literatura infantil. Cada obra funciona como um fragmento de sua trajetória, uma crônica visual que documenta encontros, paisagens e atmosferas. “Tive o privilégio de conviver no beco, onde conheci artistas incríveis, entre eles Bulacha, um verdadeiro patrimônio cultural da cidade” compartilha Highlander.

Seu trabalho não apenas apresenta um recorte visual do período em que esteve na cidade, mas também se insere como um registro artístico que revela os bastidores e os personagens que fazem parte da cultura goianiense. Ao longo desse tempo, o artista se tornou um observador atento das nuances da cidade, criando um diário gráfico que resgata momentos fugazes e os transforma em memórias palpáveis.

Festa Preta

Mais que um evento, a Festa Preta é um movimento de celebração da cultura, da música e da união da comunidade negra. Com um set poderoso de black music nacional e internacional, o evento traz o melhor do hip hop, R&B, soul, funk, afrobeat, samba e pagode, conectando gerações e fortalecendo laços.

Além de shows ao vivo e DJs, a Festa Preta é um espaço de troca, de impulsionamento de projetos e de valorização das histórias que constroem a identidade cultural negra. O evento é um reflexo da potência criativa da cena preta, um ponto de encontro onde vozes, expressões e talentos se unem para promover uma experiência inesquecível.

No dia 6 de abril, o Beco da Codorna se torna palco dessa grande celebração, que agora também recebe a exposição de Highlander, ampliando ainda mais a potência desse encontro artístico e social. A fusão entre arte visual e música transforma o espaço em um território vivo de narrativas visuais e sonoras, onde cada detalhe conta uma história de resistência, identidade e pertencimento. É nesse contexto vibrante que Highlander apresenta seu olhar sobre a cidade, construindo uma ponte entre suas experiências e o público que prestigia tanto a arte quanto a cultura negra em sua plenitude.

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