Saiba quem é Cory Booker, senador que protestou contra Trump e discursou de mais de 25h

O senador democrata Cory Booker fez história no Senado dos Estados Unidos ao realizar o discurso mais longo já registrado no plenário da Casa. Durante 25 horas e 5 minutos, o parlamentar de Nova Jersey utilizou a tribuna para criticar as políticas do então presidente Donald Trump e alertar sobre os impactos de sua administração. A fala, que começou na segunda-feira, 31, às 19h (horário local) e se estendeu até a noite de terça-feira, 1º, ultrapassou o recorde estabelecido em 1957 pelo falecido senador Strom Thurmond, que discursou por 24 horas e 18 minutos.

Booker, de 55 anos, permaneceu todo o tempo em pé, tomando apenas água e sem pausas para alimentação ou idas ao banheiro. Ele justificou sua resistência alegando que “ameaças ao povo americano e à democracia americana são graves e urgentes, e todos nós devemos fazer mais para enfrentá-las”. Entre suas críticas, ele condenou a tentativa de Trump de anexar territórios como a Groenlândia e o Canadá, além de alertar sobre os riscos das medidas econômicas defendidas pelo governo republicano.

Uma carreira marcada pelo ativismo e pela ascensão política

Booker ocupa uma cadeira no Senado desde 2013, tornando-se o primeiro negro a representar Nova Jersey na Casa. Atualmente, ele é um dos cinco senadores negros entre os 100 membros do plenário. Sua trajetória política começou em Newark, onde foi eleito vereador em 1998 após uma campanha que incluiu uma greve de fome de dez dias para chamar a atenção para os problemas urbanos da cidade.

Em 2002, tentou a prefeitura de Newark, mas foi derrotado. Persistente, venceu as eleições de 2006 e foi reeleito em 2010. Durante seu governo, investiu na revitalização do centro da cidade e atraiu investimentos, mas recebeu críticas sobre sua gestão do subemprego e das altas taxas de homicídios, que persistem até hoje em alguns bairros.

Seu mandato como prefeito também chamou atenção da mídia nacional. Em 2012, Booker ganhou os noticiários ao salvar uma mulher de um incêndio. Ele inalou fumaça, sofreu queimaduras de segundo grau nas mãos e foi elogiado pelo chefe dos bombeiros da cidade. No mesmo ano, após o furacão Sandy devastar parte da costa de Nova Jersey, ele abriu sua casa para moradores sem eletricidade, oferecendo refeições e abrigo.

A visibilidade crescente culminou em sua eleição para o Senado em 2013, em um pleito especial realizado após a morte do senador Frank Lautenberg. Em 2014, Booker foi eleito para um mandato completo e reeleito em 2020. No mesmo ano, ele chegou a cogitar uma candidatura à Casa Branca, mas desistiu da disputa, apoiando posteriormente Joe Biden, que venceu Trump em 2021.

Recorde no Senado e críticas a Trump

O discurso de Booker, que durou mais de 25h, foi uma resposta ao governo republicano. Em sua fala, ele criticou duramente as políticas de Trump, afirmando que os “Estados Unidos vivem uma crise” e que, em pouco mais de dois meses de gestão, o presidente causou “danos à segurança dos americanos, à estabilidade financeira e aos alicerces da democracia”. Ele também lamentou o enfraquecimento de alianças históricas e a tentativa de Trump de renovar cortes de impostos que beneficiariam bilionários como Elon Musk.

“Eu queria que ele [Musk] dissesse a verdade: ‘Eu não preciso de um corte de impostos’”, afirmou o senador. Segundo Booker e outros democratas, a influência do bilionário sobre as decisões da administração Trump é um problema, já que ele não foi eleito para um cargo oficial, mas tem poder sobre políticas governamentais.

O senador também criticou o orçamento apoiado pelos republicanos, que, segundo ele, sacrificaria o acesso à saúde da população para garantir isenções fiscais aos mais ricos. “Somos uma nação em dificuldades em comparação com nossos pares globais”, afirmou. “Mas somos um país de abundância e já mostramos que temos uma visão incrível para o futuro.”

O impacto do discurso e as próximas disputas

Apesar da extensão e do impacto midiático, a fala de Booker não teve efeito direto na obstrução de projetos de lei. No entanto, de acordo com o jornal The New York Times, o discurso atrasou a discussão de uma proposta democrata que buscava derrubar as tarifas comerciais impostas por Trump ao Canadá.

A postura de Booker no plenário reforça sua posição como uma das vozes mais ativas da ala progressista do Partido Democrata. Ele segue em mandato no Senado até 2027 e continua a ser visto como uma figura de destaque na política americana, seja para futuras disputas presidenciais ou para liderança dentro do partido.

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